A Polícia Civil do Paraná identificou o autor do homicídio do detento César Rodrigues dos Santos, de 37 anos, ocorrido em fevereiro deste ano na Cadeia Pública de Maringá. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (6) pelo delegado Adriano Garcia, responsável pelo caso, durante coletiva de imprensa.
César foi encontrado morto dentro de uma cela conhecida como “seguro”, apresentando sinais de violência, especialmente na região do pescoço, o que desde o início levantou a suspeita de homicídio. As investigações apontaram que o crime ocorreu dentro da própria unidade prisional, exigindo uma apuração detalhada por parte das autoridades.
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De acordo com o delegado, o autor foi identificado após um trabalho conjunto entre a Polícia Civil e a Polícia Penal do Paraná. A análise do comportamento dos detentos e indícios de luta corporal foram fundamentais para esclarecer o caso. O suspeito conhecia a vítima e alegou que César teria envolvimento, há cerca de dez anos, na morte de um familiar — motivação que, segundo a polícia, não foi comprovada.
Mesmo sem flagrante, os investigadores reuniram elementos suficientes para solicitar a prisão preventiva do suspeito, que inicialmente respondia em liberdade. Com o avanço das apurações, ele passou a figurar como preso também por este homicídio.
O caso foi considerado emblemático pelas autoridades por se tratar de um assassinato ocorrido dentro de uma unidade prisional, o que demandou integração entre diferentes órgãos de segurança.
Prisão e morte dentro da cadeia
César Rodrigues dos Santos havia sido preso na noite de sábado, 14 de fevereiro, após invadir a casa de um vizinho na cidade de Mandaguaçu. Segundo a Polícia Militar do Paraná, o proprietário do imóvel foi avisado por vizinhos sobre a invasão e acionou a polícia.
No local, os militares abordaram César, que estaria alterado e teria desacatado a equipe. Foi necessário o uso de algemas para contê-lo. Ele foi encaminhado à delegacia em Maringá, onde foi autuado por desobediência, dano qualificado, violação de domicílio e resistência à prisão.
Na manhã de domingo (15), durante a contagem de presos, equipes do sistema prisional encontraram o detento caído e desacordado na cela. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência foi acionado e constatou o óbito no local.
O corpo apresentava lesões compatíveis com agressões. A Polícia Científica do Paraná realizou a perícia, e o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Maringá. O laudo deve confirmar oficialmente a causa da morte.
Alerta sobre extorsões após crimes
Durante a coletiva, o delegado Adriano Garcia também fez um alerta sobre um tipo de crime que tem crescido na região: a extorsão após homicídios ou tentativas de homicídio.
Segundo ele, criminosos têm utilizado aplicativos de mensagens para entrar em contato com familiares das vítimas e empresários, se passando por integrantes de facções criminosas. Nessas abordagens, exigem transferências em dinheiro sob ameaça de novos ataques, explorando o medo gerado por crimes recentes.
O delegado reforça que essa prática configura crime de extorsão, caracterizado pela coação psicológica, e orienta que nenhuma quantia seja paga. A recomendação é que as vítimas procurem imediatamente a polícia para registrar boletim de ocorrência.
Ainda conforme a Polícia Civil, a falta de comunicação rápida por parte das vítimas dificulta as investigações, já que os criminosos costumam agir de dentro de presídios e utilizam contas de terceiros para movimentar o dinheiro.

