A Polícia Civil do Paraná deflagrou, na manhã desta quarta-feira (24), a terceira fase da Operação Teia Logística, ação de grande porte voltada ao combate de uma organização criminosa vinculada ao tráfico interestadual de drogas e associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A operação mobiliza aproximadamente 200 policiais civis dos estados do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul, além de equipes da Polícia Militar do Paraná, incluindo unidades especializadas do Canil, que prestam apoio no cumprimento das ordens judiciais.
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Estão sendo cumpridos 32 mandados de prisão e 29 mandados de busca e apreensão nos estados do Paraná, São Paulo, Rio Grande do Norte e Mato Grosso do Sul. No Paraná, os mandados são executados nas cidades de Loanda, Nova Londrina, Querencia do Norte, Icaraíma, Cruzeiro do Oeste, Porto São José, Londrina e Pato Bragado.
As investigações tiveram início há cerca de três anos, após uma apreensão realizada pela DENARC de Maringá em conjunto com a Receita Federal, quando aproximadamente 1,1 tonelada de entorpecentes foi localizada em uma transportadora da cidade de Maringá.
A partir da análise do material apreendido e da identificação dos responsáveis pelo carregamento, os investigadores chegaram a um grupo criminoso com atuação na cidade de Loanda-PR. A primeira fase da operação resultou na identificação de cinco integrantes da organização. Posteriormente, a extração e análise dos aparelhos celulares apreendidos permitiram a descoberta de novos envolvidos, culminando na segunda fase da investigação.
Com o aprofundamento das diligências e a análise de novos elementos probatórios, os policiais identificaram uma complexa estrutura criminosa responsável por coordenar a produção, transporte, armazenamento, distribuição e movimentação financeira dos recursos oriundos do tráfico de drogas para diversas regiões do país.
Segundo as investigações, a organização mantinha fornecedores e áreas de produção de entorpecentes no Mato Grosso do Sul, responsáveis pelo abastecimento da rede criminosa. Também foram identificados indivíduos encarregados da preparação de veículos com compartimentos ocultos utilizados para o transporte da droga.
A investigação revelou ainda a participação de pessoas responsáveis pela travessia dos entorpecentes através do Rio Paraná, especialmente na região de Icaraíma, utilizando embarcações para transportar a droga do Mato Grosso do Sul para o Paraná. Após a travessia, os carregamentos eram armazenados em entrepostos localizados principalmente nas cidades de Icaraíma e Loanda, de onde seguiam para diversos estados brasileiros.
Além dos responsáveis pela logística regional, foram identificados integrantes encarregados da distribuição local e da coordenação do envio dos entorpecentes para outras unidades da federação, utilizando caminhões, veículos de passeio e até linhas regulares de ônibus.
As investigações também identificaram um núcleo financeiro responsável pela movimentação e ocultação dos valores provenientes do tráfico de drogas. Entre os alvos da operação estão pessoas suspeitas de integrar o esquema de lavagem de dinheiro da organização criminosa, que disponibilizavam contas bancárias para o trânsito de recursos ilícitos. Segundo apurado, essas contas eram utilizadas tanto para o recebimento de valores oriundos da comercialização de entorpecentes quanto para a realização de pagamentos a fornecedores de drogas e demais integrantes da estrutura criminosa, com o objetivo de dissimular a origem dos recursos e dificultar a atuação dos órgãos de fiscalização e persecução penal.
Além das prisões e buscas, a Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias dos investigados apontados como integrantes dos núcleos de tráfico de drogas e de lavagem de dinheiro da organização criminosa. A medida tem como objetivo interromper o fluxo financeiro da ORCRIM e impedir a movimentação de valores provenientes das atividades ilícitas.
Também foram bloqueadas contas bancárias de empresas suspeitas de serem utilizadas para a ocultação e dissimulação de recursos oriundos do tráfico de drogas. Segundo as investigações, essas pessoas e empresas desempenhariam papel fundamental na movimentação financeira da organização, viabilizando o recebimento de valores provenientes da comercialização de entorpecentes e o pagamento de fornecedores, contribuindo para a lavagem dos ativos criminosos.
As medidas patrimoniais representam uma importante frente da Operação Teia Logística, uma vez que visam não apenas a responsabilização criminal dos envolvidos, mas também a descapitalização da organização criminosa, retirando sua capacidade financeira de continuar atuando e expandindo suas atividades ilícitas.
As investigações apontam que a estrutura criminosa possuía ramificações em diversos estados. Foram identificados integrantes em São Paulo ligados ao PCC e envolvidos no fornecimento de drogas, alvos no Rio Grande do Norte responsáveis pela redistribuição dos entorpecentes na região Nordeste e fornecedores estabelecidos no Mato Grosso do Sul.
O nome “Teia Logística” faz referência à complexa rede operacional criada pela organização criminosa, que abrangia todas as etapas da cadeia do tráfico de drogas, desde a produção e aquisição dos entorpecentes, passando pelo transporte interestadual, travessias fluviais, armazenamento estratégico e distribuição para diversas regiões do país.
Ao atingir simultaneamente os núcleos de fornecimento, transporte, armazenamento, distribuição e lavagem de dinheiro, a Operação Teia Logística representa um duro golpe contra o crime organizado, comprometendo a capacidade operacional e financeira da organização criminosa investigada e desarticulando uma importante rota de abastecimento e redistribuição de drogas para diversas regiões do Brasil.
DENARC/POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ



